Como aprimorar a análise dos dados investigados?

A mesa redonda “Inteligência nos bastidores das investigações”! debateu a aplicação da tecnologia no combate aos crimes financeiros e foi mediada pelo perito criminal Érico Negrini (perito criminal), com falas de Bruno Assaf (diretor nacional de Governo da Dell), Eduardo Moreno Izel (delegado) e Rodrigo Lange (perito criminal federal).

“Ao contrário de antigamente, quando contávamos com pouca informação, hoje temos um grande volume disponível de dados, mas isso não significa que o problema foi resolvido. Temos um ainda maior que é como conseguir gerenciar essa quantidade de informação”, abriu o debate o mediador Érico Negrini.

Empilhados, dados da Lava Jato equivalem a 400 milhões de bíblias

O perito criminal federal Rodrigo Lange, que integra a diretoria de TI do Ministério da Justiça na diretoria de TI e já integrou a equipe da Operação Lava Jato, comentou que os desafios que enfrentava em Curitiba na perícia permanecem os mesmos em Brasília, ainda que em uma escala um pouco maior.

Segundo ele, a tecnologia deve ser utilizada para resolver alguns gaps e os peritos têm alguns desafios pela frente para garantir a custódia, a integridade e a disponibilidade das provas desde o início da investigação até quando elas são encaminhadas pelo Ministério Público e tratadas pelo poder judiciário. “Hoje em dia, até mesmo pequenos traficantes usam planilha de Excel para controle e isso cresce em escala quanto maior for a empresa que adota atividades criminosas”, comentou.

Na Lava Jato, já foram apreendidos mais de 1,4 mil celulares, 700 computadores, 1,7 mil discos rígidos e 190 fitas magnéticas. Lange fez uma analogia com a Bíblia, que possui cerca de 5 cm de espessura, e comentou que, se todos os dados apreendidos fossem reunidos e impressos, isso geraria 400 milhões de bíblias e 20 mil quilômetros, se fossem empilhados.

Ele acredita que desafios serão superados com capacitação (a Polícia Federal proporciona cursos de especialização e de mestrado para aprimorar e aplicar o conhecimento da academia nas perícias), com a automatização de processamentos e o desenvolvimento de apps que possam interpretar dados nos mais variados formatos. “Temos que focar, ainda, no big data, em soluções que analisam e interpretam dados de forma inteligente, com o auxílio de computadores usando inteligência artificial”, concluiu.

Tecnologia em prol da simplificação dos processos

O delegado Eduardo Moreno Izel falou aos presentes sobre o trabalho que desenvolveu para padronizar procedimentos e implementar metodologias que facilitassem quaisquer tipos de investigação criminal. Para isso, produziram manuais e métodos simples, de forma a apenas aprimorar o que já havia sendo feito. Assim, criaram em 2012 um sistema direcionado ao investigador policial, que pode acessar e analisar todas as informações que necessita para investigação, atualizadas em tempo real. “Não é apenas um consultor de dados, e sim uma ferramenta que apresenta vínculos e conversa com informações sobre suspeita de fraudes, dados de licitações, enfim, é um grande depositório nacional de dados de investigações oficiais”, resumiu, lembrando que, apenas em 2018, o sistema foi consultado 9 milhões de vezes, por 4 mil usuários ao todo.

O diretor nacional de Governo da Dell, Bruno Assaf, concluiu a mesa dizendo que é uma satisfação como cidadão participar do evento e observar a disposição dos entes presentes em melhorar a estrutura como um todo do processo investigativo. “Nosso trabalho consiste em colaborar com o acesso ao acervo de informações, usando tecnologia de ponta para contribuir para que a arquitetura de tecnologia seja entregue com agilidade e consistência para atender o processo de investigação”, encerrou.

Organização: MarkMesse

Por Daniela Licht (Básica Comunicações)

Fotos: Enéas Gomez

Como aprimorar a análise dos dados investigados?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *