Aberto oficialmente o 1º Fórum Nacional sobre Crimes Econômico-Financeiros

A solenidade de abertura do 1º Fórum Nacional sobre Crimes Econômico-Financeiros, realizada na noite desta terça-feira, foi conduzida por Marcos de Almeida Camargo, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF).

Ele lembrou que o evento tem como premissa os valores fundamentais para o trabalho da perícia criminal federal: independência, equidistância entre as partes e a valorização da ciência como método de obtenção de conhecimento e combate à criminalidade. Falou, ainda, que o Fórum quer encontrar novas soluções, novos métodos de trabalho que tornem ainda mais eficiente a atuação dos profissionais presentes.

“O crime econômico-financeiro está intimamente relacionado a diversos problemas no Brasil, inclusive com a ocorrência de crimes violentos, entre eles o tráfico de drogas e o tráfico de armas. São grande inimigos da sociedade brasileira que se valem de esquemas complexos e intrincados de gestão financeira, exigindo cada vez mais expertise da investigação para que possam ser descortinados”, disse.

Para ele, o Brasil avançou muito nos últimos anos, devido ao melhor aproveitamento das delações premiadas. “O grande desafio do presente é o esclarecimento de que as delações devem ser investigadas junto com provas materiais capazes de dar maior segurança ao processo criminal”, concluiu.

Em seguida, o Diretor Geral da Polícia Federal, Maurício Leite Valeixo, lembrou da relevância do debate, visto que abrange de crimes de elevada complexidade, o que sempre exigiu da Polícia Federal a especialização das equipes, a criação de unidades especializadas e o intercâmbio focado no aprimoramento técnico para concluir inquéritos e investigações com o máximo de assertividade. “Este é um importante trabalho realizado pela perícia, pois crimes desta seara demandam total sinergia multidisciplinar, já que envolvem áreas como contábil, de economia, de engenharia e de geologia, entre outras”, frisou.

A cerimônia foi encerrada com a fala do reitor da Universidade Positivo, economista José Pio Martins, que lembrou das quatro entidades que compõem uma nação – pessoas, empresas, governo e o restante do mundo. Segundo ele, estas quatro entidades podem se relacionar pelo menos de nove maneiras diferentes entre si, o que resultaria em pelo menos 135 operações possíveis. “Dentro deste cenário, existe uma grande possibilidade de uma delas ser feita de maneira ilegal, daí a importância de um fórum que discuta este problema”, comentou. “A diferença entre os padrões de vida destes países reside entre a pobreza e a riqueza. Se nós temos uma renda per capita inferior às dos demais países, isso implica diretamente no funcionamento da economia, bem como sua eficiência, imoralidade e ilegalidade”, explanou.

Martins frisou que o corpo de leis de um país é um bem público e serve para ampliar a confiança, reduzir incertezas e combater a ilegalidade. Assim, sem um bom corpo de leis e um bom aparato judicial, torna-se inviável aumentar a confiança – na moeda, nas instituições e nos contratos jurídicos – e a previsibilidade. E, sem isso, não há produção nem desenvolvimento. “O Brasil tem sido um especialista em desperdiçar décadas e isso se deve e muito à corrupção, que se insere na sociedade dentro de um aspecto legal, moral e econômico, impedindo o desenvolvimento da nação”, alertou.

O evento é promovido pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) e será realizado em Curitiba até dia 14.03. Conta com o patrocínio da Itaipu Binacional (Ouro), Systech e Dell Partner (Prata) e o apoio da Universidade Positivo, Governo do Estado do Paraná, Prefeitura Municipal de Curitiba, Polícia Federal, Instituto Municipal de Administração Pública de Curitiba, Ordem dos Advogados do Brasil-Seção Paraná, AACE Seção Brasil, Associação dos Peritos Judiciais do Estado de São Paulo, Conselho Regional de Contabilidade do Paraná e Conselho Regional de Economia 6ª Região.

Após a solenidade de abertura, foi realizada a mesa redonda magna, intitulada Provas circunstanciais e provas técnico-científicas na persecução penal: visão dos operadores do Direito, com a presença do Diretor Técnico-Científico da Polícia Federal, perito criminal Fabio Salvador, do Procurador da República, Roberson Henrique Pozzobon, e do advogado Alexandre Knopfholz.

Foto: Perito criminal Fabio Salvador

Foto: Procurador da República, Roberson Henrique Pozzobon

Foto: Advogado Alexandre Knopfholz

Organização: MarkMesse

Por Daniela Licht (Básica Comunicações)

Fotos: Enéas Gomez

 

Aberto oficialmente o 1º Fórum Nacional sobre Crimes Econômico-Financeiros

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